Outras notas musicais

O sorriso e o tempero de Dona Zica

10/03/2011
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Ela dividiu com Dona Neuma o título de primeira e única rainha da verde e rosa. Eusébia Silva de Oliveira, a Dona Zica, dona do mais belo sorriso e criadora dos melhores pratos do samba, nasceu no Rio de Janeiro, em 1913.

Dona Zica ajudou a fundar a Estação Primeira de Mangueira, em 1928, e foi casada com o compositor Cartola, com quem criou, em 1964, o célebre restaurante Zicartola, na Rua da Carioca, que passou a ser ponto de encontro dos sambistas, dos intelectuais e políticos.

Mesmo após a morte de Cartola, em 1980, Dona Zica continuou atuante na Mangueira, até ir morar com as estrelas, pouco antes do carnaval de 2003, no dia 22 de janeiro.

 

Zeca, o sem barreiras

O depoimento é da Beth Carvalho, que de samba e de bons sambistas entende tudo: “Eu estava no Cacique de Ramos, em 1984. Entrou lá um menino de chinelo de dedo, magrinho, com um cavaquinho dentro de uma sacola das Sendas. Olha que só tinha bamba versando, mas ele chamou a atenção, cantando: “Não pense que meu coração é de papel / não brinque com meu interior / Camarão que dorme a onda leva / hoje é dia da caça, amanhã do caçador.” Era Zeca Pagodinho. Vi logo que ali estava um verdadeiro craque do samba.

Daí para romper todas as barreiras, atravessar todas as fronteiras, e mostrar que o ritmo que ele acredita e põe fé não é apenas aquele “sambabaca” dos pagodinhos de ocasião, foi um pulo. Zeca emprestou à música brasileira seu timbre romântico-malandreado, sua embocadura própria, divisão inigualável do samba e um charme personalíssimo, inimitável, com carisma para dar e vender. É ídolo de várias gerações, pois o seu alto astral contagia a todo mundo.

O carioca da gema Jessé Gomes da Silva Filho nasceu em 1959, no dia 4 de um fevereiro de sol generoso, em Irajá (bairro que deu inúmeros bambambans do samba, de Nei Lopes a Dorina, e lhe presenteou com o apelido durante os desfiles no bloco Boêmios do Irajá). Foi criado em Del Castilho, circulou pelas zonas heróicas dos subúrbios do Rio, abriu o coração à somba da tamarindeira do Cacique, fincou âncoras em Xerém e flana impávido até pela Barra da Tijuca. Fez da convivência o seu ofício no samba e vem juntando amigos por onde passa, recebendo a todos com carinho de tio e admiração de sobrinho, gravando e reverenciando esteios verdadeiros da MPB, compositores que precisam do seu apoio para mostrar que são de fato verdadeiros.

Enumerar os seus grandes sucessos é totalmente desnecessário, qualquer menino – pelo menos os bons – conhece. São tantos, que não vale a pena eleger apenas um ou outro. Zeca Pagodinho é hoje uma legenda (no bom sentido) na música carioca e brasileira. Justifica cada gota do carinho enorme que o público manifesta em cada show ou diante de seus novos discos – que já se aproximam das duas dezenas. Zeca é bom, é do bem, e só uma entidade sublime e superior como a Música Popular Brasileira pode mesmo tê-lo em suas fileiras.

 

Os meninos da Brasília amarela

Hoje, pouco se fala neles. Mas fizeram enorme sucesso de vendas na década de 1990. Dia 2 de março de 1996, acidente aéreo matou em São Paulo os integrantes do conjunto musical Mamonas Assassinas (Dinho, Hinoto, Sérgio, Júlio e Samuel).

Com estilo irreverente, os Mamonas conquistaram em pouco tempo uma legião de fãs, formada por crianças e adolescentes. Seus principais sucessos foram Vira-vira, Pelados em Santos e Robocop gay.

 

Perólas finas da MPB

Saudade veio á sombra da mangueira
Sentou na espreguiçadeira e pegou no violão
Cantou a moda do caranguejo
Estendeu a mão prum beijo e me deu opinião

(Nei Lopes)

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