Outras notas musicais

Ismael Silva e os “comprousitores”

19/07/2016
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Comprousitor é designação comum aos falsos compositores da música brasileira, que ao invés de compor preferiam comprar sambas prontos de criadores que viviam na dureza. Moreira da Silva nunca negou que comprou, vendeu e intermediou à vontade. Em troca de ter seu nome na parceria de Acertei no milhar, que era só de Wilson Batista, colocou também o nome de Geraldo de Pereira e encaixou seu próprio nome nos créditos de Na subida do morro, que era só de Geraldo. Wilson, Geraldo, Nelson Cavaquinho e Cartola foram fornecedores de carteirinha, venderam muitos sambas. Mas ninguém superou Ismael Silva, que fez, sozinho, inúmeras obras que ficaram para a história com nomes de parceiros “fictícios”, como Francisco Alves e outros.
       O cantor e compositor Ismael Silva nasceu em 14 de setembro de 1905, em Niterói (RJ). Aos 15 anos compôs Já desisti, que marca sua estréia como criador. Foi um dos fundadores da primeira escola de samba do Rio, a Deixa Falar, no bairro do Estácio. Amigo inseparável e parceiro de Francisco Alves, possivelmente seu principal cliente, compôs também com Nilton Bastos, Noel Rosa e Lamartine Babo. Entre seus principais sucessos estão os antológicos sambas Se você jurar, Antonico e Tristezas não pagam dívidas.
Ismael Silva Morreu no Rio de Janeiro, em 1978.

Ainda o comércio de autorias
“Paulo da Portela acreditava pateticamente que os sambistas das escolas obteriam o respeito da sociedade por fazer simplesmente sua música, além de calçar sapatos e vestir terno e gravata. Mas, a contradize-lo, estavam à espreita Benedito Lacerda, Chico Alves, Ari Monteiro e ainda outros, para comprar por preço de ocasião o direito de autoria. Ismael Silva, Wilson Batista, Geraldo Pereira, Heitor dos Prazeres, e tantos outros, passavam suas criações em comércio regular. Ocorria uma desapropriação dos direitos de criação na canção brasileira, da mesma forma que se dava também, em simetria com a economia nacional, um processo de mais valia acentuada. Havia os redutos onde se praticava esse negócio com certa regularidade, como o Nice ou o Café Tália”.
(Relato de Orlando de Barros no livro Custódio Mesquita – um compositor romântico no tempo de Vargas, 1930-45)


 

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