Memória

Dino Sete Cordas – centenário de nascimento

Por Alberto Buaiz Leite - 29/05/2018

Alguns músicos brasileiros tornaram-se referência na nossa história musical e um deles, sem dúvida, foi Horondino José da Silva, o Dino Sete Cordas. Foi músico e compositor e atuou nos principais grupos instrumentais brasileiros. Dino nasceu em 06 de maio de 1918, no bairro de Santo Cristo, no Rio de Janeiro. Filho de músico amador, aos 8 anos já dedilhava o violão do pai. Sempre foi um autodidata, apesar de ter estudado um pouco de teoria musical, na década de 1940, quando já tocava profissionalmente.


     Sua carreira artística teve início em 1935, acompanhando o cantor Augusto Calheiros em apresentações em circos e teatros. Mas foi em 1937 que seu trabalho como músico deslanchou, quando entrou para o Regional de Benedito Lacerda, substituindo o violonista Ney Orestes. Neste grupo tocou ao lado de Jaime Florence, o Meira, surgindo assim a famosa dupla de violonistas Dino e Meira que atuou por cerca de trinta anos. Na década de 1950 o grupo transformou-se em Regional do Canhoto e Dino passou a tocar violão de sete cordas, influenciado pelo músico Tute que já tocava o instrumento, no Grupo da Velha Guarda. Na década de 1960 foi convidado por Jacob do Bandolim para integrar o Conjunto Época de Ouro, onde permaneceu por várias décadas. Em 1974 e 1976, participou da gravação, inclusive como arranjador, de dois LPs do Cartola, lançados pelo selo Marcos Pereira. Um dos grandes momentos de sua trajetória artística foi a gravação do CD “Raphael Rabello e Dino Sete Cordas” lançado pelo selo Caju Music, em 1991. Este foi seu único disco próprio.


     Vale ressaltar seu trabalho, também como compositor. Começou a compor com 22 anos e teve vários parceiros. Compôs alguns sucessos como “Aperto de Mão” com Jaime Florence e Augusto Mesquita, gravado por Elizeth Cardoso. Silvio Caldas lançou “Pastora dos Olhos Castanhos” parceria com Alberto Ribeiro. Outros artistas gravaram suas músicas como Almirante, Isaurinha Garcia e Castro Barbosa.
     Trabalhou até os últimos anos de sua vida, tocando e dando aulas em lojas de instrumentos musicais. Faleceu em 27 de maio de 2006, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia.

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     Dino Sete Cordas foi um dos grandes nomes de nossa música. Sua dedicação e seriedade ao trabalho musical levou o violonista sete cordas Marcelo Gonçalves a declarar, certa vez: “É um músico que toca ouvindo os outros, atento aos outros, toca para a música.” Fez uma belíssima carreira. Partiu, mas deixou uma escola para os músicos contemporâneos.

 

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