Homenagens

Darcy de Oliveira: compositor e pandeirista

Por Sandor Buys - 27/11/2013
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Darcy de Oliveira foi um pandeirista e compositor brasileiro, notável nas décadas de 1930 e 1940, mas que, assim como a grande maioria dos músicos de sua época, hoje em dia é um nome esquecido. Não há dados biográficos sobre ele nos trabalhos mais fundamentais que reúnem informação biográfica de nomes da música brasileira, como os livros pioneiros do Ary Vasconcellos, a Enciclopédia da Música Brasileira ou o dicionário musical on-line do Ricardo Cravo Albin. E mesmo uma busca mais exaustiva na literatura revela apenas breves menções de suas composições.
Um conjunto de fotografias, partituras manuscritas e impressas, assim como vários outros documentos que pertenceram ao Darcy de Oliveira estavam em poder de um familiar seu que veio a falecer, tendo, então, sido todos aqueles papéis descartados ao lixo. Pessoas que comercializam material reciclado resgataram estes papéis, que enfim vieram parar em minhas mãos. Baseado neste material, disponibilizo aqui alguma informação biográfica sobre este personagem.
Darcy de Oliveira nasceu em 16 de março de 1905, em Porto Alegre, filho de Álvaro Branco e Clara Dorneles de Oliveira. Ainda em sua cidade natal participou de grupos como Bohemios Rio-grandenses, liderado pelo cavaquinista Ary Valdez, e Voz do Sul, com o qual fez apresentação no Uruguai. Também atuou muito freqüentemente ao lado do flautista gaúcho Dante Santoro. Participou do carnaval porto-alegrense compondo para a então famosa agremiação carnavalesca “Divertidos atravessados”, e para os ranchos “Almirantes Carnavalescos” e “Não sei”, tendo sido organizador deste último. No Rio de Janeiro, foi pandeirista, por exemplo, do conjunto regional da RCA Victor, liderado por seu amigo Dante Santoro, do qual também eram integrantes Pereira Filho e Ney Orestes, nos violões, e Ary Valdez, no cavaquinho.
Sua estréia em disco, foi através da voz de Aracy de Almeida, com o samba “Pedindo a São João”, feito em parceria com Herivelton Martins e lançado para as festividades juninas de 1935. No ano seguinte o samba “Se o morro não descer”, que fez com o mesmo parceiro, foi um dos sucessos do carnaval. Seus parceiros mais freqüentes foram Herivelton Martins e Benedicto Lacerda, mas Darcy de Oliveira também compôs em parceria com Wilson Baptista, Ataulfo Alves, Roberto Roberti, Waldemar Gomes dentre outros. Suas composições foram gravadas por cantores consagrados, como Francisco Alves, Carmem Miranda, Aurora Miranda, Sílvio Caldas, Almirante, Ademilde Fonseca, Dircinha Batista, Moreira da Silva, além da já citada Aracy de Almeida.
Darcy de Oliveira faleceu em sua residência na Rua dos Arcos, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, no dia 31 de março de 1945, em conseqüência de complicações de saúde. Anos mais tarde sua filha Lourdes de Oliveira tornou-se atriz, estreando na personagem Mira do premiado filme Orfeu do Carnaval, do diretor francês Marcel Camus, com quem casou e teve dois filhos. Consegui arrolar até o momento cerca de 80 músicas de Darcy de Oliveira, a maioria inédita em disco.

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